Na língua portuguesa, Angra designa uma enseada largamente
aberta, com costas altas. Tendo seus descobridores aqui chegado
no dia de Reis de 1502, esta recebeu o nome de Angra dos Reis.
O município caracteriza-se por uma costa privilegiada.
A imensa baía com centenas de ilhas forma um local protegido
do mar aberto e dos ventos, o que proporciona às embarcações
um refúgio aberto e dos ventos, o que proporciona às
embarcações um refúgio abrigado. Esta singularidade
geográfica da região vem sendo utilizada de diferentes
maneiras conforme as necessidades dos diferentes ciclos econômicos
da história do país.
No primeiro período da história de Angra, o município
era um importante entreposto comercial, pois, encontrava-se no
meio da rota marítima que fazia a ligação
entre as “Vilas de S. Vicente e S. Sebastião do Rio
de Janeiro.”

O
primeiro povoado local, elevado à categoria de Vila já
em 1608, se fez na região hoje chamada de Vila Velha. Poucos
anos depois, em 1617, com o assassinato do padre responsável
pela paróquia, iniciou-se um processo cujo resultado, em
1624, foi o abandono da localidade primitiva e a mudança
do povoado para o atual sitio de Angra dos Reis. O novo sitio
foi provavelmente escolhido por já existir a Casa Conventual
dos Carmelitas, erguida em 1593. O antigo sitio da povoação
recebeu o nome de Vila Velha, conservado até hoje. Em 1626,
deu-se início à construção da Igreja
Matriz da Nova Vila, só concluída em 1750.

O
início da construção do “Caminho Novo”,
estrada que fazia a ligação por terra do interior
de São Paulo e Minas Gerais ao atual estado do Rio, deu-se
em 1728, evitando o percurso marítimo antigo, via o entreposto
de Paraty, na época muito vulnerável à pirataria.
Essa via possuía ligação direta com Angra
dos Reis e as cidades de Lídice e Rio Claro, o que impulsionou
o desenvolvimento e enriquecimento da região. Esse enriquecimento
de Angra pode-se ver expresso na construção do convento
São Bernardino de Sena, iniciado em 1763 e concluído
cinco anos mais tarde. O desenvolvimento urbano, contudo, só
acontece no séc. XIX, quando Angra tornou-se um importante
porto para o tráfico de escravos e escoamento do café
do Vale do Paraíba. Em 1835, a antiga povoação
de N. S. da Conceição, agora Angra dos Reis, foi
elevada à categoria de cidade. A Santa Casa de Misericórdia (atual
Hospital Municipal) foi construída em 1836 para atender
aos casos de tifo, malária e febre amarela; o Paço
Municipal (atual Prefeitura), em 1871 e o primeiro jornal semanal,
em 1860. São também desta época, os grandes
sobrados da cidade e a antiga cadeia, hoje Câmara Municipal.

Na
segunda metade do séc. XIX, três fatores desorganizam
a economia local: a construção da estrada de ferro
que ligou o Rio de Janeiro a São Paulo através do
Vale do Paraíba, a decadência do café no mesmo
vale e por fim a abolição da escravidão.
Em conjunto, esses fatores desarticularam as bases onde se assentava
a sobrevivência da economia local.
O novo século manterá a tradição que
diz ter estado o município sempre ligado aos grandes ciclos
do país. Com o fim da República Velha e a Ascensão
da “Era Vargas”, teremos a construção
de um ramal ferroviário, ligando Angra dos reis à
Estrada de Ferro D. Pedro II, na região do Vale do Paraíba,
que iria posteriormente sediar a construção da Companhia
Siderúrgica Nacional. Isso ocorreu em 1931 e, já
em 1932, o porto da cidade inicia suas operações.
Com a política desenvolvimentista de Juscelino Kubischeck,
a década de cinqüenta assistirá à construção
(com capital holandês) do Estaleiro Verolme, no atual distrito
de Jacuecanga. A indústria naval seria privilegiada pela
posição geográfica de nosso litoral.
A ditadura militar das décadas de 60 e 70 trará
a implantação de grandes projetos para a região.
Nos anos 70, o Programa Nuclear Brasileiro escolherá Angra
dos Reis como local para a instalação das Usinas
de Angra I e II ( 1972 / 1985 ), que utilizam a água do
mar para resfriamento do reator.
Em 1977 é inaugurado o Terminal Petrolífero da Baía
da Ilha Grande(TEBIG), para receber navios de grande porte. Possuindo
dez grandes tanques para o armazenamento de petróleo, estes
estão ligados à refinaria de Duque de Caxias no Rio de
Janeiro e de Gabriel Passos em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Ainda na mesma época, é iniciada em 1972 a abertura
da Rodovia Rio-Santos, BR 101, que possibilitou a instalação
de empreendimentos turísticos e imobiliários. Com
a valorização, iniciou-se o processo de ocupação
dos melhores terrenos ao longo do litoral.
Hoje a história de Angra continua sendo contada ao redor
de suas águas, através dos proeiros das traineiras
de pesca, das mansões à beira-mar, das escunas, lanchas...
De seus trabalhadores, moradores, veranistas e turistas... Dos
naufrágios que aqui repousam, do silêncio dos mergulhadores,
do barulho das águas que vão e vem, dos barcos, dos
navios e dos veleiros, que aqui sempre buscam as águas
abrigadas de Angra dos Reis.