Atalhos de acessibilidade: Menu principal (alt + p) | Menu desta seção (alt + s) | Onde Estou? (alt + o) | Conteúdo (alt + c) | Rodapé (alt + r)
Voltar a página incial
   
 


Recurso de javascript para alterar o tamanho da letra
Aumentar tamanho da letraDiminuir tamanho da letra
EXPOSIÇÕES

A exposição “Pinturas do Cais”, organizada por Adel Gonzaga, reúne um acervo de 25 pinturas a óleo pintadas pelos usuários da saúde mental nas oficinas de arte do Cais - Centro de Atividades Integradas em Saúde Mental e tem como objetivos, dentro das comemorações da Luta Antimanicomial, a divulgação e a valorização dessas pinturas como forma de sensibilizar a sociedade e os governos para questões que envolvem a inclusão social de pessoas, que sofrem de transtornos mentais, através de trabalhos com arte.

A arte é uma terapia de vida. Toda pessoa que procura resgatar em si os meios de reorganizar a sua vida tem na arte a possibilidade de poder se expressar verdadeiramente, sem limites, sem críticas, sem regras absolutas.

As “Pinturas do Cais” são prova disso e podem se tornar referência quando se quer falar da valorização da arte no tratamento mental, como também, da necessidade de reforçar as propostas e os meios, que são importantes para a concepção e finalização desses trabalhos.

No ano passado essa mesma exposição havia sido exibida ao público no Centro Cultural Theofilo Massad pela ocasião da Luta Antimanicomial, causando surpresa para muita gente quando se viu diante de pinturas feitas por pessoas que sofrem de transtornos mentais. Depois dessa data os olhares ficaram atentos às imagens feitas pela expressão do inconsciente.

As pinturas feitas pelos usuários do Cais têm significados que chegam a confundir quem as olha pela primeira vez.  Seus aspectos estéticos e seus conteúdos propõem uma reconstrução da trajetória de vida de cada um, dos sonhos, dos projetos, do passado e do presente, que parece estar sempre já preenchido com outros pensamentos.


As pinturas de Antonio Bernardo retomam sua trajetória de vida quando dentro de um caminhão ele foi até o Acre, no norte do Brasil, voltou a Colatina e pegou suas panelas. Continuou dentro do caminhão percorrendo as estradas deste país vendendo panelas. Até que um dia alguém as roubou dele. O mesmo aconteceu com seu caminhão. Um dia, exausto de tantas idas e vindas e dos percalços da própria vida, surtou! Hoje fazendo tratamento terapêutico nas oficinas de artes do Cais criou imagens de caminhões, que parecem de brinquedo e que encantam pelas cores diluídas em pinceladas que emprestam a pintura uma leveza quase etérea.

Elisabeth Pereira pinta um pouco da vida dela, de seus sonhos, dos carros, dos vestidos, da solidão, dos frutos e dos discursos que ela profere por aí. Suas pinturas são textos escritos como diz a própria artista: “Eu psicografo”. E como se tudo isso pudesse facilitar a nossa aprendizagem diante de conteúdos que ainda poderão revelar outras tantas leituras. Continue psicografando, Elisabeth.

Fábio Antônio é outro caso que revelou nos seus desenhos um universo habitado por super-heróis, mocinhos e santas. Seus super-heróis podem valer dos seus superpoderes, mas precisam de favores dos céus assim como qualquer mortal. Ele mesmo padece dessa compaixão num manicômio judiciário, no Rio de Janeiro, pela acusação de ter roubado a mochila de um estudante. O crime dele é ser louco. Nada mais!  Ser louco é um estado de espírito exaltado. Só isso. Soltem o Fábio para que ele possa exacerbar em heróis e suas santas a imaginação. Uma delas é negra e está sumida. Mesmo assim clama por ele.

Marcos Aurélio deixou de freqüentar as oficinas terapêuticas do Cais para viver a sua vida e trabalhar, mas deixou alguns trabalhos artísticos, que vale a pena expor, como prova de que são testemunhos de um aprendizado construído por ele mesmo.

Samuel Carvalho não está aqui neste momento para ver e ouvir, mas suas pinturas de guitarristas parecem tocar de verdade quando, no meio de um fundo de manchas vermelhas, sai um empunhando sua arma sonora. Eric Clapton é um deles. Outros temas são decorrentes na sua obra: a moça e a serpente são pura sexualidade à flor da pele; a pintura com diversas caras de homens são suas múltiplas identidades, pois todas parecem pertencer a uma só pessoa.

João Batista não tem muito tempo para pintar, pois sempre está com afazeres burocráticos que exigem dele a saúde mental. Mas quando começa a pintar é uma grande surpresa!

Adilson Barros é um mistério assim como suas pinturas de prédios como um monobloco colorido fincado no chão aos pés de montanhas que parecem levitar ao fundo.

Ângela Rirsch é um caso de pessoa que aprendeu a pintar por uma necessidade vital de ter a pintura como aliada. Suas flores exprimem o resultado dessa busca a serviço do belo. E através dela a perspectiva de um mundo feliz se confirma.

Nely Bulhões freqüentou as oficinas terapêuticas do Cais por muito tempo e por lá fez coisas lindas, aprendeu e ensinou a todos um pouco do seu estilo.

Dalva Hull passou um longo período freqüentando as oficinas de artes do Cais e produziu muitas pinturas, dentre elas muitas de flores, que nesta exposição tem um exemplar.

Emília S. S. passou como um meteoro pelo Cais e deixou para nós uma pintura forte e enigmática assim como ela. Decifra ser for capaz!

Cibele Maia, Jorge de Souza e Wanderley Cerqueira são usuários do Cais, que não produziram muitas pinturas a óleo, mas os exemplares que estão nesta exposição valorizam a capacidade que eles têm em prosseguir nesse caminho.

Esta exposição é dedicada a Nise da Silveira: primeira psiquiatra brasileira a se preocupar com o tratamento psiquiátrico através da arte, da dignidade e da liberdade de expressão.

Outros usuários tornaram-se anônimos e não quiseram dar às caras para não ter reconhecido o seu talento. Mesmo assim suas obras estão expostas. Foi o caso da pintura onde aparece uma figura negra deitada num sofá ou num divã? De quem será?

Quem pintou alguma coisa, mas por ironia do destino não teve suas obras expostas, será também recompensado com o tempo. Não faz mal que não seja agora! Simplesmente continue sempre a experimentar novas emoções, pois valerá a pena construir um universo mágico com a pintura. Com isso todos ganharemos, mesmo aqueles que não reconheceram o valor das pinturas...
Notícias | Eventos | Mapa do site | Fale Conosco
Direitos Autorais Reservados a Prefeitura Municipal de Angra dos Reis 2006©
Praça Nilo Peçanha, n.º 186 - Centro - Angra dos Reis, RJ. CEP:23900-000
CNPJ: 29.172.467/0001-09