Todos pela ampliação do Tebig

Terminal é fundamental para a economia de Angra. Reunião marcou o inicio de um movimento em sua defesa

Quarta-Feira, 04/04/2012 | Superintendência de Comunicação .

Vereadores, secretários municipais, deputados, sindicalistas, representantes de empresas, entidades e associações de moradores se reuniram na segunda-feira, dia 2, para discutir ações em defesa da ampliação do Terminal Petrolífero da Baía da Ilha Grande (Tebig). O prefeito Tuca Jordão participou do encontro, que serviu como um marco inicial para o movimento "O Tebig é nosso", que pretende reunir os diversos setores da sociedade de Angra dos Reis. O objetivo é sensibilizar as autoridades estaduais para que o terminal, que é usado para exportação de petróleo, permaneça em Angra e seja ampliado, já que há o risco de que, em vez disso, seja construído um novo terminal, em Maricá ou Itaguaí. A reunião foi organizada pela Câmara Municipal e realizada na Casa Larangeira.

As autoridades e o público foram unânimes defendendo a permanência e a ampliação do Tebig. O encontro contribuiu para explicar a situação à população. O terminal, que funciona na Ponta Leste, representa uma expressiva fonte de recursos para Angra, através do repasse de ICMS, e a ampliação visa o aumento de sua capacidade produtiva para adequá-lo à elevação da quantidade de petróleo que é exportado pelo país e à demanda da exploração do pré-sal.

Tuca chamou a atenção para a importância do assunto destacando que Angra é a cidade que mais exporta no Brasil graças ao petróleo que é movimentado no terminal, e lembrou que esse crescimento de arrecadação é fruto de deliberações de seu governo, como a autorização para operações ship to ship, realizadas por navios petroleiros. Sobre a recente queda da arrecadação do município, Tuca explicou:

- Agora alguns dizem que o Tuca perdeu R$ 50 milhões, mas se a receita de Angra aumentou foi em função de nossas deliberações - afirmou o prefeito sobre o aumento da receita desde o início de seu governo.

Tuca também criticou a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) Marinha da Baía da Ilha Grande, alegando que esse seria um mecanismo para o engessamento do desenvolvimento econômico do município. Opinião defendida também pelas outras autoridades.

- As APAs que já existem em Angra são mais que suficientes para a questão ambiental - afirmou, dizendo não acreditar que a nova APA seja mesmo criada.

Embora a Petrobras diga que o Tebig não irá fechar, mesmo que outro terminal seja construído, o prefeito acredita que a construção de um novo terminal irá provocar um esvaziamento da utilização do Tebig e, consequentemente, trará perdas para Angra dos Reis.

- A partir do momento que a Petrobras decide que não vai mais ampliar, que não vai mais investir, o Tebig está fadado a fechar sim - defendeu Tuca.

O superintendente da Transpetro, Virmar Guimarães, falou um pouco sobre a história do Tebig, que vai completar 35 anos no mês de setembro, sobre o funcionamento do terminal e os impactos ambientais, que são mínimos, e também sobre o projeto de ampliação que, de acordo com ele, "está sendo conduzido a todo vapor pelo setor de engenharia da Petrobras."

- Tenho certeza que o povo de Angra merece essa ampliação, e é a união de todos que vai propiciar isso - disse Virmar.

As autoridades falaram sobre as vantagens da ampliação em relação à construção de um terminal novo. A principal é o custo do empreendimento. Enquanto a construção irá demandar um gasto de U$$ 5,4 bilhões, a ampliação do terminal que já existe e opera em Angra, sairá por U$$ 2 bilhões. Segundo o superintendente da Transpetro, o valor do projeto pode ser ainda menor.

- Temos que mostrar, para quem é contra a ampliação, que não existe razão para ser contra - resumiu Virmar.

Além do menor custo, as autoridades alegam que a ampliação é ambiental e tecnicamente mais viável, o que também vem sendo defendido pela Transpetro.

- Em Maricá, entidades ambientais, surfistas e pescadores são contra, porque a construção do terminal irá destruir uma das praias mais bonitas do Rio de Janeiro [Jaconé] que, além disso, possui um sítio arqueológico descoberto por Charles Darwin. Ecologicamente, Angra dos Reis é muito menos arriscado - acrescentou o presidente da Câmara, José Antônio Azevedo, destacando que os impactos ambientais sofridos em Angra já foram absorvidos.

Algumas propostas foram feitas, como a realização de uma audiência pública na Câmara de Angra, audiências com o governador Sérgio Cabral e com o Ministério da Casa Civil, reuniões com os secretários de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico, Carlos Minc e Júlio Bueno, eventos em Angra e no Rio para incentivar a mobilização popular, cartazes e faixas nos órgãos públicos municipais, dentre outras. De acordo com o presidente da Câmara, as propostas irão constar em um documento, que será entregue às entidades que participaram da reunião e que serão chamadas para as discussões.

Está marcada para o dia 18 uma audiência pública para discutir o assunto no Congresso, em Brasília, junto à Comissão de Minas e Energia. Os deputados federais Fernando Jordão e Luiz Sérgio foram algumas das autoridades que participaram da reunião na Casa Larangeira.

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