Espécies Cultivadas(Metodologia)

Moluscos

Vieira (Nodipecten nodosus)

No litoral brasileiro, os pectendeos esto representados por nove gneros e 17 espcies. Em nossa regio, a Nodipecten nodosus o maior dos pectendeos registrados, podendo atingir at 18 cm e comprimento de concha. Os indivduos deste gnero so encontrados fixos a substratos duros, atravs do bisso, e mais frequentemente soltos sobsubstratos arenosos, em profundidades entre 10 e 25 metros, prximo s ilhas e parceis.

Esta espcie conhecida popularmente como vieira ou coquille, apresenta um grande potencial aquicola, atingindo tamanho mdio de 8 a 10 cm de comprimento de concha em cerca de doze meses. Fatores como a receptividade do mercado consumidor e elevado preo de comercializao, reforam esta potencialidade.

A vieira o principal moluscos cultivado na baia da Ilha Grande, pois o maior laboratrio de produo de sementes desta espcie, o IED-BIG, esta localizado neste Municpio, garantindo assim a oferta de formas jovens para os produtores.

Todos os maricultores da BIG produzem a vieira, alm do mexilho.

Foto: vieira (Nodipecten nodosus) em tamanho superior a 14 cm.


Foto: vieira (Nodipecten nodosus) vista da gnada e msculo.


Foto: sementes ou formas jovens de vieira, prontas para serem estocadas no cultivo.


Fotos: Comprimento da semente de vieira e de um exemplar em tamanho inicial para comrcio.


Foto: Juvenis de vieira estocadas em "lanterna Japonesa" para engorda no mar.


Foto: Maricultor retirando "lanterna" com vieiras para manejo.


Mexilho (Perna perna)

A espcie Perna perna, um molusco bivalve da Famlia dos Mitildeos encontrada na natureza comumente fixada aos costes rochosos.

Distribui-se geograficamente pelas regies tropicais e subtropicais dos Oceanos Atlntico e ndico, como tambm em alguns pontos do Mar Mediterrneo. Na Amrica Central, algumas ocorrncias foram registradas em locais do Caribe. J na Amrica do Sul possvel encontr-la na Venezuela, Brasil (do norte do Esprito Santo ao sul do Rio Grande do Sul) e Uruguai.

Esta espcie ocorre em mar aberto e esturios de gua salobra, principalmente naquelas com movimento intenso, distribuindo-se em substratos expostos influncia de mars e, ocasionalmente, at 10 metros de profundidade. Fixam-se a uma grande variedade de substratos, tais como rochas, cascalhos, conchas mortas, lodo ou areia compactados. Normalmente, dispem-se verticalmente sobre os costes em funo do grau de batimento das ondas e do grau de inclinao do costo, associado a diversos outros organismos.

Estes animais alimentam-se exclusivamente atravs da filtrao, retirando seu alimento diretamente da gua do mar. No possuem dimorfismo sexual, mas os machos apresentam-se sua parte mole (carne) de colorao branca leitosa e as fmeas de colorao alaranjada.

A reproduo realizada atravs de liberao de gametas na gua, ocorrendo fecundao externa, originando larvas que ficam deriva por aproximadamente 3 a 4 semanas, quando ento se fixam ao substrato.

Foto: mexilho com carne cozida, na foto a diferena de colorao representa o tecido gonadal, sendo a parte avermelhada vulos, assim um exemplar feminino e a parte branca produtora de espermatozoides, assim o macho.


Foto: Cordas de mexilho na engorda, para colheita.


Ostra (Cassostrea gigas)

Considerada espcie introduzida liberada para cultivo de acordo com a portaria n 145 de 29 de outubro 1998/IBAMA.

Esta espcie de ostra um molusco bivalve da Famlia Ostreidae, oriunda do oceano Pacfico, vulgarmente conhecida como ostra do Pacfico, introduzida no Brasil em meados da dcada de 70, de forma experimental por institutos de pesquisa do Rio de Janeiro e So Paulo, sendo atualmente produzida de forma comercial no estado de Santa Catarina, a partir da dcada de 80, com laboratrios especializados na produo de sementes desta espcie. A obteno de sementes se d exclusivamente por produo em laboratrio.

As sementes, animais jovens com 1 a 5 mm, so obtidas atravs reproduo em laboratrio.

Foto: Exemplares de ostra gigas, semente, juvenil e tamanho comercial.


Mtodo de cultivo

Aqui fazemos uma breve descrio sobre os mtodos de cultivo de moluscos, empregado na baa da Ilha Grande, sendo que, para o efetivo conhecimento das metodologias deve-se procurar material com maior aprofundamento sobre estas tcnicas e at mesmo conhecer reas produtoras e procurar profissionais para orientao.

Utiliza-se para engorda de moluscos de uma forma geral na BIG o espinhel ou long-line, que consiste de um cabo-mestre posicionado na superfcie, meia gua ou ainda prximo ao leito marinho, mantido flutuando por boias e fundeado pelas extremidades por poitas de concreto, ncoras, garatias ou pinos de ferro.

Neste so amarradas as lanternas com ostra ou vieiras e as cordas de mexilho pelo perodo de engorda respectivo de cada espcie.

Em uma rea aquicola, o tamanho dos espinhis esta relacionada com a rea onde ser implantado o cultivo, assim como a disposio destes em relao a costa e a influncia de ondas e mar.

Na BIG, costuma-se utilizar espinhis de 50 metros de comprimento, contudo esta medida depende dos fatores citados acima.

O nmero de espinhis instalados em cada rea aquicola se relaciona a quantidade a ser produzida, tendo como referncia bsica que cada lanterna deve ser amarrada no espinhel com uma distncia mnima de 80 centmetros, mas deve-se levar em considerao ainda, a fora de mar e ondas, aumentando ou diminuindo esta relao de distncia, sempre garantindo que no ocorra o "embarao" das lanternas amarradas no espinhel.

Deve-se considerar tambm a distncia paralela entre os espinhis, de forma que facilite a passagem de embarcaes entre eles e que a fora de mar no "embarace" estes, causando transtornos ao processo de manejo. Utiliza-se na regio uma distncia mnima de 5 metros entre espinhis.

Figura: Exemplo de um espinhel para cultivo de moluscos.


Peixe (Rachycentron canadum) - bijupir

O Bijupir da famlia Rachycentridae, ocupa reas das regies Norte, Nordeste, Sudeste e Sul (do Amap ao Rio Grande do Sul). Mais comum no Nordeste.

Espcie de grande porte, pelgica e migradora, habitam toda a costa brasileira, peixe de escamas muito pequenas, corpo alongado e subcilndrico, cabea grande e achatada. As nadadeiras, dorsal e anal so do mesmo tamanho, dando a impresso de um ser reflexo da outra. A nadadeira caudal tem o lobo superior muito maior que o inferior. Apresenta duas faixas prateadas ao longo do corpo. As nadadeiras so escuras. Apresenta um rpido crescimento podendo alcanar de 4 a 8kg em um ano de cativeiro. Sua carne saborosa e de timo valor nutricional.

Espcie de superfcie e meia gua vivem em reas costeiras e no alto mar. Pode ser encontrada ocasionalmente em guas rasas com fundo rochoso ou de recife, assim como em esturios e baas. Normalmente encontrada sozinha ou aos pares, mas pode formar cardumes pequenos. Alimenta-se de peixes, crustceos e lulas. A carne saborosa e tem muitos apreciadores, mas no muito comum nos mercados.

A engorda realizada em tanques-rede flutuantes, podendo ser circulares, retangulares ou quadrados. Os sistemas de cultivo podem ser do tipo semi-intensivo, intensivo ou superintensivo, com utilizao de arraoamento. Os tanques podem ser confeccionados com diversos materiais, os mais utilizados hoje em dia so os de tubos de Polietileno de Alta Densidade PEAD, podendo ser de diferentes dimetros de espessura dos tubos, bem como diferentes tamanhos, utilizando-se com o sistema de redes (conteno dos peixes) que confinam os peixes em seu interior com redes de nilon, plsticos perfurados, arames galvanizados revestidos com PVC ou ainda telas rgidas.

Imagem: esquema de um tanque rede com estrutura metlica.


Foto: tanque rede circulares com flutuadores de PEAD.


Foto: Juvenis do bijupir, prontos para estocagem nos tanques.


Foto: juvenil do bijupir em manejo.


Foto: Juvenis do bijupir no tanque rede.


Foto: bijupir adulto, estocado em tanque rede.


Foto: bijupir adulto em manejo.